A planilha compara salário.
A conta é maior que isso.
Quando a empresa decide entre ter entregador próprio ou terceirizar, a comparação quase sempre acontece entre o salário de um lado e o preço da entrega do outro. São grandezas diferentes, e é por isso que a conta costuma dar o resultado errado.
Quatro grupos de custo. A planilha costuma ter um.
Os itens abaixo são categorias de despesa de um entregador próprio. Os valores são da sua operação e do seu contador — a composição de encargos muda conforme o regime tributário e a convenção coletiva, e qualquer percentual cravado aqui erraria para alguém.
Pessoa
- Salário
- Encargos sobre a folha
- Férias e 1/3
- 13º salário
- Vale-transporte e alimentação
- Provisão de rescisão
Veículo
- Moto (compra ou locação)
- Combustível
- Manutenção e pneus
- Seguro do veículo
- IPVA e licenciamento
- Baú e equipamento da Res. 943/2022
Conformidade
- Curso de motofretista
- Cadastro municipal
- Inspeção semestral
- EPI e colete retrorrefletivo
- Seguro da carga
Invisível
- Cobertura em férias e faltas
- Tempo de gestão e escala
- Ociosidade nas horas sem entrega
- Turnover e nova contratação
O quarto grupo é o que decide, e é o que não aparece. Entregador próprio custa a mesma coisa no dia de pico e no dia parado. Se a moto roda três horas e fica cinco à disposição, você está pagando oito — e comparando com um preço por entrega que só existe quando a entrega existe.
Não é quantas entregas. É quantas horas paradas.
- A moto roda quase o dia inteiro, todo dia
- O volume é estável, sem vale entre picos
- A entrega exige alguém de dentro — acesso a sistema, chave, valor, rotina sensível
- Você já tem estrutura para gerir frota e conformidade
- O volume oscila, com picos e vales
- A moto ficaria parada boa parte do expediente
- Você não quer gerir veículo, curso, cadastro municipal e inspeção
- Falta de um entregador não pode parar a operação
Muita empresa está no segundo cenário e opera como se estivesse no primeiro — por inércia, porque contratou quando o volume era outro.
Dá para testar sem desmontar nada.
Comece pelos picos
Terceirize só o excedente: o dia de fechamento, a segunda-feira cheia, a véspera de feriado.
Cubra férias e faltas
É onde o custo invisível aparece com nome: hoje alguém de dentro para o trabalho dele para entregar.
Compare com dado real
Depois de dois meses você tem custo por entrega dos dois lados — medido, não estimado.
Assim a decisão deixa de ser aposta. E se a conclusão for manter o entregador próprio, você passa a ter cobertura para os dias em que ele falta — que já vale o teste.
Sobre terceirizar entregas
Terceirizar entregas é permitido?
Sim. A terceirização de atividades, inclusive da atividade principal, é permitida pela Lei 13.429/2017 e pela Lei 13.467/2017. O que continua sendo examinado não é o ato de terceirizar, e sim se a relação com o profissional terceirizado tem, na prática, os elementos de emprego. Tratamos disso em como contratar sem gerar vínculo.
A partir de que volume terceirizar compensa?
Não existe número universal, porque depende de quanto tempo o seu entregador passa efetivamente entregando. A pergunta útil não é "quantas entregas eu faço", é "quantas horas por dia a moto fica parada". Entregador próprio custa igual nas horas ociosas; terceirizado só custa quando roda.
E se eu preciso de alguém disponível o dia todo?
Esse é exatamente o formato de motofretista dedicado: um profissional à disposição da sua empresa em horário fixo, com nota fiscal, sem vínculo e sem os custos de veículo e conformidade. É o que muita gente procura como "motoboy por hora" ou "motoboy fixo" — a diferença é que a gestão da pessoa continua sendo nossa, que é o que afasta a subordinação direta.
Quem responde se acontecer um acidente?
Com entregador próprio, a responsabilidade pelo veículo, pela conformidade do motofrete e pelo acidente de trabalho é sua. Na contratação de empresa, essas obrigações são da contratada — desde que ela seja de fato regularizada, o que você deve verificar. A lista está em o que exigir de uma empresa de motoboy.
Vocês assumem a operação de quem já tem entregador próprio?
Sim, e costuma ser uma transição gradual: começa cobrindo picos e férias, depois absorve a rotina. Não é preciso decidir tudo de uma vez — e é assim que dá para comparar custo real com a operação rodando, em vez de comparar planilha com expectativa.
Esta página descreve categorias de custo para ajudar na comparação. Não é consultoria contábil ou tributária — os valores e a composição de encargos da sua empresa quem calcula é o seu contador.
Se a conclusão for terceirizar, faltam duas coisas: escolher o formato — avulso, pacote ou dedicado, em motoboy para empresas — e estruturar a relação sem criar passivo, em como contratar sem gerar vínculo.
Quer comparar com a sua conta real?
Manda o volume médio, o horário e quantas horas a moto ficaria disponível. Devolvemos o formato que se paga.
Resposta em minutos · Segunda a sexta · Sem compromisso